
Saudações, leitores!
Muitos devem ter percebido que o site andou em um longo período de silêncio. Posso admitir que parte dessa culpa é minha, já que andei bem atarefado no fim do ano, devido ao trabalho. Não vamos, porém, transformar o post em um relato de desculpas. Hoje iremos conhecer mais dois lendários personagens das lendas nórdicas. Duas mulheres que foram capazes de conquistar o duro coração de Lodbrok. Figuras envoltas por uma mítica tão grande quanto a do próprio Ragnar. Lathgertha e Aslaug!
As informações sobre Lathgertha vem de duas fontes principais e muito importantes para se compreender toda a mítica da mitologia escandinava, o Gesta Danorun e o Saxo Grammaticus. Lathgertha é identificada como uma Shieldmaiden, uma Dama da Batalha, uma das raras mulheres a quem era permitido o envolvimento direto num conflito armado.
Segundo conta a lenda, a vida guerreira de Lathgertha começou quando um líder sueco invadiu uma área da Dinamarca, onde ela residia, e matou o jarl local. As intenções do invasor era de usar todas as mulheres da aldeia como suas escravas particulares. Ragnar Lodbrok partiu em retaliação ao sueco e as mulheres vestiram-se como homens para escapar no conflito, com algumas delas escolhendo lutar.
Nesta batalha Lathgertha uniu-se aos homens de Ragnar e cativou o guerreiro com sua atitude altiva e brava durante a contenda. Lutando de cabelos soltos e enfrentando cada guerreiro que se colocava em seu caminho. Deslumbrado, Ragnar a cortejou. Lathgertha o atraiu até sua casa e só aceitou casar-se quando o guerreiro derrotou dois animais que guardavam seu lar. Um urso, que ele matou com uma lança, e um lobo, que foi morto sufocado. Não se tem certeza se da união entre os dois algum dos lendários filhos de Ragnar foi gerado, mas a união foi interrompida com o surgimento de uma nova peça no grande esquema.

Aslaug possui sua mitologia particular e esta pode ser encontrada e outros dois grandes relatos das sagas nórdicas, a Saga de Volsunga e a Saga de Ragnar. Segundo conta-se, Aslaug era filha de Sigurd e Brunhild, mas foi criada por seu avô Heimer, logo depois da morte dos pais. Temendo a segurança da menina, Heimer criou uma grande harpa, na qual puderia esconder a menina e assim viajar pelo mundo como um escaldo.
Certa vez, quando vagavam pela Noruega, pediram abrigo na casa de Grima e Ake. Durante a noite, suspeitando que na harpa havia algo de muito valioso, Ake convenceu Grima a matar Heimer e tomarem posse do objeto. Quando este se partiu e eles viram a menina, encantaram-se com a mesma, decidindo criá-la como se fosse sua própria filha. Para esconder a nobreza de Aslaug, que teria sido uma princesa sueca, nomearam-na Kraka e a fizeram caminhar sempre com roupas simples e os pés sujos.
Durante um de seus banhos, Kraka foi encontrada por homens de Ragnar, que haviam ido a terra firme para conseguir alimento, especialmente pão. Enfeitiçados com a beleza da menina, acabaram deixando o alimento queimar e quando Ragnar os questionou sobre aquilo, falaram sobre a menina e ansiando pela companhia de tal bela mulher, mandou que seus homens lhe mandassem uma mensagem. Um desafio a sua inteligência. Ela deveria apresentar-se a ele vestida e nua, faminta e satisfeita e companhada e sozinha. Quando ela se apresentou vestindo uma rede, com uma cebola na boca e um cão ao seu lado, Ragnar a tomou como esposa.
Um rei da Suécia ofereceu a Ragnar a mão de sua filha, uma princesa guerreira e Kraka havia sido informada por três pássaros de que seu marido tinha intenções de aceitar o acordo e separar-se dela. Advertindo e repreendendo-o, Aslaug decidiu provar a ele que era realmente filha de Sigurd, aquele que matou Fafnir. Dessa maneira, deu a luz à Sigurd Olhos de Serpente, uma criança que carregava no olhar o sinal do dragão assassinado pelo avô.
Dizem que Ragnar resistiu aos venenos das serpentes, no poço em que foi jogado pelo rei Ella, devido a uma camisa mágica tecida por Kraka e só rendeu-se ao veneno quando removeram a peça de seu corpo.
Estas duas personagens mostram um papel interessante e inesperado das mulheres dentro da mítica dos homens do norte. Espero que estas lendas sirvam de inspiração para narradoras e jogadoras, que acreditam num sexismo forçado dentro do RPG. É evidente que em Vikings não deve existir um preconceito exacerbado com o papel das mulheres dentro da sociedade, mas mesmo nas fontes reais elas estão lá, cumprindo seus papeis como guerreiras e donzelas.
Digo e repito… Quer acuracidade histórica? Vá ver um documentário e não me perturbe!






